
Estive participando da viagem missionária do Projeto Nasce ao campo de Moçambique – África neste ultimo mês de julho de 2009.
Foi uma experiência enriquecedora onde grandemente fomos tocados e usados por Deus em meio a um povo que tem conhecido o Evangelho de Jesus Cristo.
Uma das experiências que mais marcou minha vida foi durante um seminário para a população da região do Distrito do Ile a cerca de 800Km da cidade de Chimoio onde o PRONASCE possui sua base continental.
Neste local ficamos hospedados em um acampamento que nossa equipe montou nas dependências da igreja que nos serviu de base para nossas atividades.
Fui designado para trabalhar com a equipe que cuidaria das crianças, contando historias bíblicas, realizando brincadeiras, cantando e tocando com elas, etc.
Em um dia, na hora do almoço, onde o número de crianças presentes era bem mais do que a comida poderia dar, dividimos todos em grupos, e distribuímos tudo, tudo o que tínhamos o que não era muito, apenas massa de Milho (“Shima” como eles chamam) e um pequeno cabrito. Num certo momento enquanto organizávamos aqueles que já tinham se alimentado dos demais que ainda faltavam, uma cena marcou para sempre a minha vida. Era uma multidão de crianças, paramos de contar quando já passava dos 250 e pelos cálculos pelo menos umas 350 ou mais estavam ali.
A comida não deu para todos, mas foi justamente nesta falta de recursos que vi o verdadeiro significado de amor e compartilhar com o irmão o pouco que temos. No meio da multidão, vi quando uma pequena menina, aparentando no máximo uns 10 ou 12 anos (pra falar a verdade poderia ter até mais, pois muitos não possuem um crescimento adequado devido as muitas dificuldades), veio passando com muita dificuldade, mas com perseverança e determinação, no meio de todos, curvando-se, virando-se, lutando para chegar até um grupo de crianças menores, e ao se aproximar, alcançou uma bem pequena, indefesa ante a grande multidão, e se aproximou com todo o cuidado, retirando de suas roupas (de sua capulana, um manto que envolve o corpo como uma saia) um pequeno embrulho feito de folhas de mangueira, onde com muito cuidado desembrulhou um pequeno pedaço de carne de cabrito, com mais osso do que carne, mas era o que tinha para comer, e estendeu a mão e carinhosamente deu a seu pequeno irmão que com um sorriso agradeceu e pode, ainda que pouco, alimentar-se ou pelo menos disfarçar por algum tempo a fome.
Essa ação, despercebida pela multidão, foi talvez a maior demonstração de amor que compartilha e perseverança que tenha visto. Amor que vence barreiras, que não se intimida ante os obstáculos, que não se limita a palavras vazias, mas que mostra na prática o que é amar de fato e de verdade (1ª João 3:16-18) e em gestos simples, mas profundamente encharcados pelo genuíno amor e misericórdia, entende que mais bem aventurado é dar do que receber.
Aquela menina e seu pequeno embrulho, feito de folhas, mostrou-me como precisamos sair de nossas zonas de conforto e termos coragem de compartilharmos o que nos custa caro, e para ela, era precioso aquele pedacinho de carne/OSSO, pois para dar ela teve que abrir mão de ter para si, e preferiu compartilhar com quem aos seus olhos e coração precisava mais do que ela e não se intimidou, antes foi e agiu e sua ação fez diferença na vida de uma pequena vida que para ela valia mais do que a sua.
Que lição essa menina dá a igreja brasileira! Enquanto a maioria dos “religiosos” brasileiros ficam lutando entre si, disputando quem é mais, quem é o maior, o melhor, se aterrando nos doentios bairrismos imperialistas denominacionais, amargamente “elitizando” e monopolizando uma doentia expressão de “fé” (??), buscando o status, a grandeza, a prosperidade, barganhando com Deus, onde o que se embrulha e desembrulha é orgulho, a soberba, a divisão, a frieza e falta do mais importante que é o amor.
Precisamos rever nossa pratica de amor, como povo que se diz evangélico. Será que lutamos uns pelos outros, será que estamos dispostos a abrir mão do nosso próprio bem estar e pensar e agir em prol do outro, do que chamamos de “irmão em Cristo”? Será que estamos dispostos a lutar, quebrar barreiras que nos dividem, e em vez de esperarmos uma contrapartida de possíveis recompensadores benefícios que queiramos desfrutar, recebermos apenas o sorriso e a certeza de que o nosso próximo, o nosso irmão está bem, e até mesmo por causa disso, ficará melhor do que nós?
A igreja brasileira tem perdido a pratica do amor e isto tem causado inúmeras doentias praticas que tem mostrado ao mundo muito “barulho”, mas nada de vida e nada de amor e misericórdia.
Temos que acabar com tanta frieza, tanta divisão, concorrência, imperialismo e bairrismo, e termos coragem de lutarmos pela fé, uns pelos outros, levando o pão da vida que é Cristo, envolto em folhas de misericórdia e com perseverança, vivermos o que de fato significa o amor fraternal, o compartilhar, o lutar juntos pela fé evangélica (Filipenses 1:27/2:1-11).
Infelizmente muitos insistem em ficar no discutir e brigar por tantas coisas insignificantes, e criam doutrinas, teologias, regras, etc... Criando um mercado de “fé”, uma fé sem obras, morta e infrutífera, e o amor vai se esfriando cada vez mais.
Isto tem que acabar!
Louvo a Deus por esta experiência vivida na África onde aprendi algo que jamais os livros dos que se julgam mestres e doutores em teologia poderiam ensinar, nem tão pouco nos shows-sensacionalistas-gospel, nem nas megas-estruturas denominacionais puderam algum dia ensinar. Mas antes, Deus na sua Graça usou algo que aos olhos da multidão é insignificante, mas aos olhos de Cristo é o que de fato significa amar e compartilhar.
Foi uma menina, um embrulho de folhas de arvore, um pedaço de cabrito, um sorriso de criança, que pude ver na prática o que significa – AMAR!
Que esta lição seja cravada no seu, no meu, no nosso coração!
Em Cristo, que tudo nos deu por amor
Pr. Alexandre Tadeu Cardoso de Oliveira
Projeto Nasce
Foi uma experiência enriquecedora onde grandemente fomos tocados e usados por Deus em meio a um povo que tem conhecido o Evangelho de Jesus Cristo.
Uma das experiências que mais marcou minha vida foi durante um seminário para a população da região do Distrito do Ile a cerca de 800Km da cidade de Chimoio onde o PRONASCE possui sua base continental.
Neste local ficamos hospedados em um acampamento que nossa equipe montou nas dependências da igreja que nos serviu de base para nossas atividades.
Fui designado para trabalhar com a equipe que cuidaria das crianças, contando historias bíblicas, realizando brincadeiras, cantando e tocando com elas, etc.
Em um dia, na hora do almoço, onde o número de crianças presentes era bem mais do que a comida poderia dar, dividimos todos em grupos, e distribuímos tudo, tudo o que tínhamos o que não era muito, apenas massa de Milho (“Shima” como eles chamam) e um pequeno cabrito. Num certo momento enquanto organizávamos aqueles que já tinham se alimentado dos demais que ainda faltavam, uma cena marcou para sempre a minha vida. Era uma multidão de crianças, paramos de contar quando já passava dos 250 e pelos cálculos pelo menos umas 350 ou mais estavam ali.
A comida não deu para todos, mas foi justamente nesta falta de recursos que vi o verdadeiro significado de amor e compartilhar com o irmão o pouco que temos. No meio da multidão, vi quando uma pequena menina, aparentando no máximo uns 10 ou 12 anos (pra falar a verdade poderia ter até mais, pois muitos não possuem um crescimento adequado devido as muitas dificuldades), veio passando com muita dificuldade, mas com perseverança e determinação, no meio de todos, curvando-se, virando-se, lutando para chegar até um grupo de crianças menores, e ao se aproximar, alcançou uma bem pequena, indefesa ante a grande multidão, e se aproximou com todo o cuidado, retirando de suas roupas (de sua capulana, um manto que envolve o corpo como uma saia) um pequeno embrulho feito de folhas de mangueira, onde com muito cuidado desembrulhou um pequeno pedaço de carne de cabrito, com mais osso do que carne, mas era o que tinha para comer, e estendeu a mão e carinhosamente deu a seu pequeno irmão que com um sorriso agradeceu e pode, ainda que pouco, alimentar-se ou pelo menos disfarçar por algum tempo a fome.
Essa ação, despercebida pela multidão, foi talvez a maior demonstração de amor que compartilha e perseverança que tenha visto. Amor que vence barreiras, que não se intimida ante os obstáculos, que não se limita a palavras vazias, mas que mostra na prática o que é amar de fato e de verdade (1ª João 3:16-18) e em gestos simples, mas profundamente encharcados pelo genuíno amor e misericórdia, entende que mais bem aventurado é dar do que receber.
Aquela menina e seu pequeno embrulho, feito de folhas, mostrou-me como precisamos sair de nossas zonas de conforto e termos coragem de compartilharmos o que nos custa caro, e para ela, era precioso aquele pedacinho de carne/OSSO, pois para dar ela teve que abrir mão de ter para si, e preferiu compartilhar com quem aos seus olhos e coração precisava mais do que ela e não se intimidou, antes foi e agiu e sua ação fez diferença na vida de uma pequena vida que para ela valia mais do que a sua.
Que lição essa menina dá a igreja brasileira! Enquanto a maioria dos “religiosos” brasileiros ficam lutando entre si, disputando quem é mais, quem é o maior, o melhor, se aterrando nos doentios bairrismos imperialistas denominacionais, amargamente “elitizando” e monopolizando uma doentia expressão de “fé” (??), buscando o status, a grandeza, a prosperidade, barganhando com Deus, onde o que se embrulha e desembrulha é orgulho, a soberba, a divisão, a frieza e falta do mais importante que é o amor.
Precisamos rever nossa pratica de amor, como povo que se diz evangélico. Será que lutamos uns pelos outros, será que estamos dispostos a abrir mão do nosso próprio bem estar e pensar e agir em prol do outro, do que chamamos de “irmão em Cristo”? Será que estamos dispostos a lutar, quebrar barreiras que nos dividem, e em vez de esperarmos uma contrapartida de possíveis recompensadores benefícios que queiramos desfrutar, recebermos apenas o sorriso e a certeza de que o nosso próximo, o nosso irmão está bem, e até mesmo por causa disso, ficará melhor do que nós?
A igreja brasileira tem perdido a pratica do amor e isto tem causado inúmeras doentias praticas que tem mostrado ao mundo muito “barulho”, mas nada de vida e nada de amor e misericórdia.
Temos que acabar com tanta frieza, tanta divisão, concorrência, imperialismo e bairrismo, e termos coragem de lutarmos pela fé, uns pelos outros, levando o pão da vida que é Cristo, envolto em folhas de misericórdia e com perseverança, vivermos o que de fato significa o amor fraternal, o compartilhar, o lutar juntos pela fé evangélica (Filipenses 1:27/2:1-11).
Infelizmente muitos insistem em ficar no discutir e brigar por tantas coisas insignificantes, e criam doutrinas, teologias, regras, etc... Criando um mercado de “fé”, uma fé sem obras, morta e infrutífera, e o amor vai se esfriando cada vez mais.
Isto tem que acabar!
Louvo a Deus por esta experiência vivida na África onde aprendi algo que jamais os livros dos que se julgam mestres e doutores em teologia poderiam ensinar, nem tão pouco nos shows-sensacionalistas-gospel, nem nas megas-estruturas denominacionais puderam algum dia ensinar. Mas antes, Deus na sua Graça usou algo que aos olhos da multidão é insignificante, mas aos olhos de Cristo é o que de fato significa amar e compartilhar.
Foi uma menina, um embrulho de folhas de arvore, um pedaço de cabrito, um sorriso de criança, que pude ver na prática o que significa – AMAR!
Que esta lição seja cravada no seu, no meu, no nosso coração!
Em Cristo, que tudo nos deu por amor
Pr. Alexandre Tadeu Cardoso de Oliveira
Projeto Nasce
Nenhum comentário:
Postar um comentário